quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Mouro



Com o vento bramindo, amo com regozijo, o canto eterno dos ancestrais, da qual os cruéis demais, procuram apagar as vozes, as vozes dos que de face tapada, caminhavam pela terra sagrada, colhendo laranjas dos pomares, cantando e morrendo de amores, os que à volta da imortal fogueira, contavam os contos, de noites de quarto crescente, de amantes e dementes, de guerreiros e príncipes, perdidos e encontrados, e agora eu conto a vós, o que o bárbaro procurou apagar, defuntos na história do tempo, mas nunca na língua do Luso, abre a boca para falar Alentejano, Algarvio, lisboeta de Alfama, bairros de mourarias, ruas de judiarias, odes aos que pisaram esta terra com tanto apelo e amor como hoje não temos, que foi feito do Al-andaluz?
Que foi feito do nosso orgulho? Que foi feito desses mouros? Que foi feito do nosso sangue? Foi bebido pelo maior patriota? que faz de nós bárbaros servos e visigodos? Que foi feito da beleza escura que queima a minha pele? Que cria curvas e ondas nos cabelos? que dá carne ao corpo da mulher portuguesa? Quantas fontes não são de mouras encantadas? Será que já não sentimos a nobreza? Será que não existe nada? Que em nós secou esse sangue, Sangue desse povo que cheio de mistérios e sabedoria, apareceu aqui um dia, que deu à ibérica península anos luz de conhecimento?
Oh! Que tormento, que berbere sangue tenho nas minhas veias? Que árabes segredos tenho no meu corpo! Será mentira? O rosto vosso não grita? Não grita abafado reclamando o sangue de Almançor? De Omíadas, Almorávidas e Almóadas? Não ouvem os seus passos em direcção ao sobressalto? Serei o único a ouvir os seus cantares? Navegadores e sonhadores, cantores e contadores, poetas e guerreiros, amantes e do vinho conhecedores, não ouvis? Pois meu amor mouro não acaba, pois do meu bisavô ainda escorre nas veias o sangue cantando as lendas do subsolo! Louco? Não,... Eterno! Pois estes louvores, eu canto perdido de amores, aos E mires e e mirados, ao Califado e aos Taifas, Quero que este grito chegue ao Califa de Bagdad, Damasco, Marrocos...
Oh quantos anos? Quantos séculos? Quantos tempos não vós dormistes nos solos das terras da luz? E Fátima, que de Cristã é tanto quanto eu sou celta, Lisboa, senhora das mourarias, Marvão dos revoltosos, Badajoz do poeta, Sevilha, Córdova, Granada dos últimos, e nos últimos, como diz o nome, já a cidade o diz, que em ti foi derramado o seu sangue Granada, rubro e cheio de vida, sangue árabe, sangue berbere, sangue apaixonado, sangue do infiel, sangue eterno e imortal, sangue que limpou e fulminou a nossa língua, a nossa gente, as nossas vidas, que até no destino a marca da fatalidade que ainda hoje, na boca do fado, é cantado, sangue desses orientais africanos, sangue de Al-Andaluz, sangue... mouro.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Os mistérios do norte

Ultimamente tenho andado a ligar-me muito à Europa propriamente dita. Não falo da boca do mediterrâneo, nem dos países populares do velho continente, falo sim dos países "bárbaros", como os romanos lhes chamavam. Tais como, toda a zona da velha Germânia, os países da península escandinava Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca, e indo num cisne até mais para o oriente, a grande mãe Rússia. Desde a mitologia (e não falo da obsessão pelos deuses nórdicos dos Vikings), à tradição e folclore. Isto tudo devido a uma mão cheia de animações e histórias que encontrei ao navegar na internet, e devido também a um livro de contos russos que me emprestaram. Fico triste que não exista muito sobre estes belos contos em Portugal, ou até mesmo no mundo, porque muitos foram cristianizados ou perdidos. Outro factor que me levou a  amar mitologia eslava (usada na rússia, ucrânia, polónia e eslováquia), foi um artista e animador de nome Valentin Olshvang. Ele tem três animações (uma delas sai da linha de mitologia eslava), as duas que se inserem neste texto são de uma profundidade e estranheza que deixa arrepios, pensar que antes a mitologia não era tão bela quanto Hollywood nos quer acreditar mas sim arrepiante, séria, e de uma carga de negridão fascinante, (por exemplo, o Fairfolk celta que Tolkien tentou amansar metendo todos os seres mágicos de uma sabedoria e graça superior quando na verdade a bondade era de pouca, e a beleza de muita, vejam o exemplo do Erl King, que raptava rapazinhos para casar com as sua filhas). É claro que devido à Cristandade hoje em dia até mesmo a mitologia eslava passa por algo puro e sem qualquer tipo de negridão assente. Bem devido a este artista Valentin Olshvang, procurei e até pedi um livro à Universidade de Toronto, mas acho que a mensagem ficou perdida na imensidão de mails que a universidade recebe pois o meu pedido ainda não foi respondido. O livro trata-se de um recolher de contos russos por Zelenin Dmitriĭ Konstantinovich, ao qual eu adoraria deitar as mãos. Serviu de inspiração para algumas animações do artista que falei. Passando isso, a mitologia eslava tal como a Báltica são ambas esquecidas ou desconhecidas pelo lado ocidental da Europa. Para um resumo do que se trata a mitologia Báltica e Eslava deixo aqui um website que leva a ambas, mas está em inglês (como disse não é fácil achar disto em português): 

Quanto aos nórdicos, existe uma diferença à qual nem todos tem conhecimento, mitologia nórdica engloba ambos o panteão dos deuses e os pequenos seres ainda hoje assentes na mentalidade dos nórdicos, quanto ao folclore, isso só engloba os seres tais como os trolls, pixies, fadas, elfos, etc...no folclore aparecem apenas alguns deuses mas com papel secundário e com bem menos poder, por exemplo Thor é só um caçador de trolls e loki vive numa casa pequena rural e é um senhor do fogo. Algo que reparei também é a constante confusão entre os celtas e os nórdicos, de verdade eles tem algumas coisas em comum, mas bem com tanto contacto era impossível não terem, no entanto por exemplo os tão afamados elfos são do berço da mitologia nórdica, seres sábios e belos, na mitologia celta aparece o Fair Folk, seres cruéis, manipuladores e com uma enorme vontade de jogar jogos com os humanos, motivo para não entrar numa floresta profunda. Eu poderia aprofundar, mas nem eu tenho acesso a tanta informação para o fazer (infelizmente). Por exemplo, a mitologia Eslava e Báltica tem mais a ver com o panteão nórdico (no que toca ao poder dos deuses). Outra coisa que estes povos tem e comum é o amor pelos elementos naturais, espíritos das pedras, mar, árvores, rios, etc..que muitas vezes não são assim tão simpáticos.Podemos observar nas tribos da Sibéria, onde ainda se mantém um animismo inspirado no Xamanismo e animismo dos mongóis a religião Tengri, com um toque de mitologia Eslava. O gosto por sereias e cisnes é algo muito visto no folclore nórdico e na mitologia eslava, sendo que os nossos amigos da península escandinava possuem muitas histórias sobre sereias e sereios como vemos com Hans Christian Andresen e Adam Oehlenschläger, com os seus lindos contos sobre sereias que queriam ser humanas e rainhas que se casavam com lindos Reis marinhos, (aliás um conto lírico lindíssimo escrito pelo último senhor pode ser encontrado aqui: http://melusinamermaid.blogspot.pt/2012/02/scandinavian-ballad-stories-agnes.html). No entanto não se deixem enganar, eles também tinham a sua dose de contos de terror com seres marinhos ou dos rios. Na mitologia celta temos os selkies e os kelpies que tem sempre uma história um tanto trágica com humanos, ou comem-nos (também se encontra nas mitologias anteriores com algumas histórias estilo pequena sereia e Melusina). Muitos dos seres destas mitologias tornam-se no futuro símbolos heráldicos. Outro ser das águas de personalidade de fugir é a Rusalka, um espírito marinho que come carne humana. Quanto aos cisnes, a sua ligação deve ter a ver com o facto de ter existido (e ainda existe) muitos cisnes selvagens nas zonas do norte. 

Acabando aqui a minha adoração a estas mitlogias, acabo com dois filmes de V.Olshvang, um ainda deu cá em portugal com o nome de "A lenda da origem do escorpião" na rtp 1, nome original: "About Crayfish"; o outro, trata-se de um de muitos exemplos de contos de uma Rusalka (falei delas lá em cima), o nome original é "With the night came a little rain", ambos são bons exemplos dos contos de folclore esquecidos da rússia:


A música mais velha do mundo - Hino Hurrita



Bem, estou de volta depois de quase um ano, menos ou mais sem escrever aqui. E desta vez trago algo interessante para amantes de história da antiguidade. Foi descoberto na Síria em 1950, trata-se de uma melodia de (diferente do que está no vídeo) 3400 A.C. Não é fantástico como a música chega a nós como uma briza leve de memórias? Imaginem os palácio, as ruas de mercados, e os sábios a falarem nos seus templos ao som deste belo instrumento da Mesopotâmia, uma lira. É belo como coisas tão antigas chegam a nós assim e nos enchem de nostalgia...Mas que nostalgia, se nunca lá estivemos? Bem se calhar estivemos...Quem sabe os mistérios da vida e da morte, só os do além, só os do além. E quem são os Hurritas? Bem segundo o blog ( http://povosdaantiguidade.blogspot.pt/2010/02/hurritas.html ) -

 "Consta que em sua origem eram um povo indo-germânico ou indo-ariano, procedente do Cáucaso Ocidental. Teriam migrado para o ocidente juntamente com os cassitas e se estabeleceram no Mitani, formando na região um poderoso Estado denominado reino do Mitanni.

Em 1887 nos arquivos de O-Amarna (Egipto) encontrou-se uma carta de um rei de Mitani, Tushratta, escrita em um idioma que ao princípio se chamou mitano. No entanto, cedo saíram à luz os arquivos hititas de Hattusa, onde à língua dos mitani se lhe chamava hurrita, de onde tomou seu nome o povo que a falava.

Estes documentos hititas têm sido a principal fonte para o conhecimento da cultura hurrita, ainda que também têm resultado úteis documentos de outras potências (Egipto, Babilonia, Ugarit) e restos arqueológicos. Particularmente interessantes são os documentos escritos tanto em idioma hitita como em línguas hurrito-urartianas, já que têm ajudado a decifrar partes importantes desta última língua.

Os hurritas apareceram pela primeira vez nos registros escritos da Mesopotâmia durante os dois últimos séculos do terceiro milênio a.C. Até a metade da década de 20, muito pouco era sabido sobre esta etnia além da alusão bíblica aos horeus. Contudo, agora se crê que eles e outro grupo denominado de Subários foram um componente importante da população da Mesopotâmia durante o final do terceiro e início do segundo milênio a.C..

A história hurrita é reconstruída com base em dados onomásticos. A concepção é formada nos termos de onde os nomes hurritas são encontrados, pode-se identificar sua presença. O mais recente registro de tais nomes encontra-se em um tablete dedicatório de Samarra, o qual data de antes da dinastia de Ur III (c. 2150 a.C.).

Após a vitória dos Gutis sobre os últimos reis de Acade, os hurritas parecem ter inundado o lado setentrional da Mesopotâmia, especialmente a terra a leste do Tigre. As excavações em Mari, no médio Eufrates, cerca de sete milhas ao norte de Abou Kemal, empreendidas desde 1933 pelo Museu do Louvre, descobriram um número extenso de tabletes hurritas. A esta fase inicial da literatura hurrita, cerca de 2400 a 1800 a.C., pertencem alguns dos textos religiosos encontrados na antiga capitalhitita de Hattushash,na Ásia Menor.
Duas inscrições são importantes neste testemunho: a inscrição do leão fundacional de Tisatal de Urkis e o próprio tablete dedicatório de Arisen, príncipe de Urkis."




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Flores do jardim Mundial




Tenho andado a pensar em flores!
Em jardins cheios de cores
Azuis brilhantes
Rosas e vermelhos cintilantes

Os orvalhos que reluzem
Nas verdes plantas
Nas heras trepadoras
Na relva fresca

Oiço o som das aves esvoaçantes
Como voam em liberdade
E os meus pés pisam a relva
Danço com o corpo cheia de folia estonteante

A natureza iluminada
Pelo sol matinal de um dia qualquer
Será isto verdade?
Será isto a pura felicidade?

As flores crescem e florescem...e eu corro cantando à simplicidade!
Livremente, sem barreiras...
Num mundo onde num deserto
As pessoas se banham com água
Sem medo de a gastar!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Olá

Olá para todos os que me seguem. Bem eu tenho parado de escrever aqui um pouco por motivos de preguicite aguda, trata-se de uma doença que não se pega mas é hereditária, mas não é crónica, há cura, chama-se trabalho e força de vontade. Eu realmente tenho tido muita vontade de escrever aqui, mas o meu computador não está bom e forçar a minha irmã a largar o seu parta mim é pedir demais. Enfim, queria mesmo escrever um poema sobre Veneza, o problema é que, ontem veio-me a inspiração, mas no como não escrevi hoje foi varrida essa ideia da minha mente. Enfim, o Carnaval está a chegar (ainda falta um mês mas enfim, já que agora as pessoas tem a mania de adiantar tudo para abafar as pessoas em consumismo, mais vale aproveitar). Por isso eu decidi por um belo video sobre o Carnaval de Veneza. Em Fevereiro meterei outro.

*beijos*



quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O infante por Fernando Pessoa ( Cantado por Dulce Pontes)



Deus quere, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quis que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagroute, e foste desvendando a espuma,


E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.


Quem te sagrou criou-te português.
Do mar e nós em ti nos deu sinal.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

Fado, o canto de Portugal





O Fado
Vem do coração
como uma eterna paixão
Mata quem o canta
Mas dá vida a quem ouvindo se encanta

O Fado
É mais que um tom e uma voz
Mais que uma guitarra chorando de pranto
Mais que uma melodia divina dos céus chorosos
É  voz de um povo que eu amo tanto

O fado
é a voz dos marinheiros que choram de saudade
Das senhoras do negro,
Damas do amor e da tristeza
É o canto do povo dos mares e da liberdade

O Fado
É dos lusos eternos
é desde as águas de cetim da Lisboa nua
Aos campos Alentejanos de oiro
Até à negrura antiga do Norte filho da lua

É das vitórias de Gama
Das epopeias de Camões
Aos milagres dos Reis
Aos encarnados cravos de revolução
A eternidade de um povo divinizado
Por Deus abençoado
É  a força de todas as vozes
Um canto que chega ao coração
Cravando no peito força e amor
De todos aqueles que aqui se unem
De todos os portugueses

É aqui que a primavera nasce com mais floreados
O Verão com mais luminosidade
O inverno com mais beleza
O outono com mais tristeza
Aqui os olhos abrem-se ao tom dos poetas
É  aqui que os anjos tocam as sinetas
Oh! Povo filho de Viriato
Se alguém negar esta verdade
Que oiça o choro desta oração
Esta que mais parece reza silenciosa
Que cerra no rosto a eternidade do fado
Pois este é o canto,
 O canto de Portugal!

Está na altura de nos unificar-mos povo português! Está na hora de sermos Portugueses!